2006-01-31

Maneiras giras de dizer coisas menos giras

"Então, tens um cabelo tão bonito e cortaste-o?"

(Eheheheehe!)

Gosto de brincos e os brincos gostam de mim


(Gostei muito, Patrícia)

Imagens dele

Dois filhos

O momento mais difícil que tive até hoje não foi uma noite mal dormida, não foi a I. a magoar o J. com tanto beijo mal dado, não foi uma manhã caótica, não foi.

O momento mais difícil, para mim, foi a saída da maternidade.

Não sei explicar muito bem. Era de noite, estava frio, eu estava nervosa, estava lá muita gente, não sei. Na maternidade sentia-me protegida nem sei do quê, só eu e ele, as enfermeiras e os médicos mesmo ali, as outras mães com os bebés, um clima que não sei explicar, assim, quente, caloroso, amigo, ainda que barulhento, desconfortável, estranho. Era só eu e ele, sem preocupações, só nós. Sabia que era o tempo que nos estava reservado, que se ía acabar e depois vinha tudo o resto, ele, ela, as comidas, a casa, as visitas, os dois juntos, não sei.

Sei que desde que o deitei na cadeirinha começou uma angústia a consumir-me, e depois era ela que não queria ir para o carro, era eu que não me mexia lá muito bem, era o frio, era a noite, era a mãe dele, a minha mãe, o meu pai, os irmãos dele e os meus, e as despedidas e o frio, e a noite, e ele na cadeirinha tão longe de mim, e ela a chorar, e a confusão das despedidas, e o frio, e a noite, e ele lá atrás no carro tão longe de mim, e ela, e tanta, tanta gente, tantas vozes, tanto barulho, tanto frio, tanta noite.

Quando finalmente saímos, no carro, só me lembro que me apetecia chorar, chorar, chorar, sem saber muito bem porquê, chorar, se de medo, se de estranheza, ele lá atrás e eu sem o ver, ela a falar e a apontar "O J.!! O J.!!", chorar, o meu pai que não aparecia, e eu que não o via, não lhe tocava, "será que está bem?", chorar, chorar.

Depois passou.

É o nº 37, sff ou A minha filha tem roupa mais gira do que eu, neste caso, sapatos

2006-01-30

Saio

à rua, de noite: consegue cheirar-se o frio.

2006-01-27

Amiga

, da próxima vez que vieres cá a casa e eu fizer tarde de maçã, não te podes ir embora e deixar-me sozinha com a tarte, ok?

(Gosto das tuas visitas!)

Imagens dele

Tácticas

Quando está com sono e se recusa a adormecer, ponho-o ao sol. Ele fecha os olhos por causa da luz e adormece rapidamente.

Olhos em bico

, fixa o sítio onde estava a mão e agora está a luva. Aproxima da boca, e afasta logo a seguir, intrigado. Tenta outra vez, e mais uma vez afasta. Os olhos em bico.
A olhar a luva. Muito tempo. Quase adivinho que pensa "Mas o que raio é isto?".

Passado um bocado a luva está ensopada.

2006-01-26

"Isto ainda não é nada"

diz-me uma amiga a propósito das "desgraças" da manhã. "Mas como assim?", fico-me eu a pensar. É que ela é mãe de dois filhos com a mesma diferença dos meus, mas mais velhos. Aquilo soa-me a anunciar de desgraças, trabalhos, canseiras.

Da minha maternidade, acho que não diria a ninguém com filhos até aos 22 meses - a partir daí não me arrisco por falta de experiência -, que "isto ainda não é nada".

Vejo as coisas sempre como diferentes, raramente como muito melhores ou piores. Claro que há momentos nitidamente mais complicados, como as primeiras semanas do bebé, mas... Parece-me que nisto do crescimento, puxa daqui, puxa dali e a coisa equilibra-se, o mais fácil com o mais difícil, a birra com a conversa, a noite mal dormida com o sossego no nosso colo.

Quando são muito pequenos é chato porque fazem muitos chichis e cocós e dependem de nós para tudo, acordam muito à noite. Mas também são uma delícia, fazem bons soninhos durante o dia, adormecem sempre no(s) carro(s) - deles e nossos.

Depois começam a gatinhar e andam por todo o lado, temos que estar sempre a limpar e a vigiar, mas dormem melhor à noite, e palram connosco e sorriem e iniciam brincadeiras.

Mais tarde andam e não param quietos, mas vêm ao nosso encontro com risos e abraços e chamam-nos "Ma-mã!". E dormem a noite todinha!

Depois ainda, começam as birras, mas já falam tanto e brincam connosco com pratos cheios de massa e feijões. E ficam com os avós e os tios enquanto nós vamos passear e estar um bocadinho os dois.

Quando nasce outro tudo se complica, é mais cansativo, mas há um bebé em casa, uma menina que se ri e dá gritinhos quando vê o irmão e diz "um beijinho", com os lábios espetados, e depois dá muitos. E o bebé que se ri para ela.

Eu acho que é sempre diferente. Nem melhor nem pior. Com coisas giras e com coisas não tão giras. E gosto de pensar nas fases que aí vêm assim. Nem boas, nem más, apenas novas.

Aos 22 meses

a minha filha ("já") precisa de ser penteada antes de sair de casa.

(Ena, ena!)

Bebé

a dormir, lavadinho e de barriga cheia, mãe menos histérica.
Siga.

Às 6h30

ele não espera mais, quer comer. Já está meio acordado a fazer barulhos há algum tempo e acabou-se, agora é mesmo para comer. Já me vou habituando, mas ainda me custa este despertar tão cedo. Vendo bem até dá jeito, para acordar o M. e dar um beijinho nela antes de saírem de casa.

Depois de mamar mijou-se todo, temos que lhe mudar a roupa toda, depois de mudar a roupa toda cagou-se todo, temos que lhe mudar a roupa toda, outra vez.

Ela acorda e quer comer, mas não quer comer na cadeira, quer comer no sofá, "sozinha!", no sofá não pode ser, filha, berros, o pai "Se comes no sofá, não comes sozinha", berros, e eu só quero beber o meu leite quentinho que me dói tanto a garganta, berros, já está na cadeira a comer sozinha, pronto.
A colher é muito grande, metade da papa fica no babete, do babete para a cadeira, da cadeira para o casaco, ela remexe na papa da cadeira com a mão, eu refilo com ela, que não mexa, que espere, que eu limpo, que lhe dou uma colher mais pequena, ela a remexer na papa, e eu só quero o meu leite quentinho que me dói tanto a garganta, berros.

Depois ela tosse e é então que perco completamente a cabeça, que ela já estava boa, que foi passar o fim-de-semana fora e ficou pior, e eu já sabia, e não devíamos ter deixado de dar o xarope tão cedo, e quero a porcaria do leite quente, que me dói a garganta e não é pouco, e ela está cheia de papa por todo o lado, e ele refila que já é tarde, e a mim só me apetece berrar-lhe que ela já está com tosse outra vez e que a culpa é dele, e que ainda nem a cara lavei, e que detesto estas correrias quando ainda nem acordada estou, e só me apetece refilar com tudo e com todos.

Depois penteio-lhe o cabelo a correr, enfio-lhe o gorro, limpo-lhe a manteiga da boca, a correr, ele já saiu com as coisas e o pão dela na mão, "Dou-te o pão no elevador", para a convencer e ser mais rápido, e nem nos despedimos para ser mais rápido, e a cozinha está uma confusão, a mesa da sala uma confusão, coisa que a mim me complica com os nervos, já tão complicados esta manhã.

Arrumo tudo, bebo o leite, consolo-me que vou dormir um bocadinho e depois tudo vai ser mais fácil, arrependo-me de me irritar, de me deixar afectar desta maneira por coisas afinal tão pequenas, e é então que chego ao quarto e vejo o desodorizante e mais umas coisas na mesa-de-cabeceira dele, ai o que me irrita o desodorizante na mesa de cabeceira e já lhe disse, e deixa-o sempre, e também deixou a roupa esticada em cima da cadeira, ai o que me irrita, e já estou outra vez irritada, mas passa-me porque vou dormir um bocadinho, ele na caminha a dormir.

Arrumo tudo, tiro o roupão, e antes de me deitar vou só aconchegá-lo na cama, e é então que vejo.

Está a dormir com uma expressão tranquila e, por baixo dele, tudo vomitado. Vomitado na roupa, no cabelo, nos lençóis, na protecção da cama, e ele a dormir. Todo sujo e a dormir com uma expressão tão feliz e a mim só me apetece chorar.

(Porque não ouvi, porque não percebi, porque ele dorme por cima do vomitado, porque me irritei, porque ela está com tosse outra vez, porque me dói a garganta, porque tenho sono, porque sim)

2006-01-25

J. - 1, Mãe - 0

Trocou a mão na boca pelo dedo na boca.
Ai a minha vida!

(E agora? Passo o tempo a tirar-lho da boca? Tiro-lho de vez em quando? Não tiro? Ignoro? Atiro-me ao rio?)

Gosto

de caixas, arcas, cestos e afins para guardar tralha.
Quero duas destas lá para casa, para guardar revistas.

Não

lhe resisto, não me resisto.

Encaixado nos meus braços, o cabelo macio, a pele macia, a roupa macia. O respirar baixinho, o ar confortado e feliz, a mãozinha a agarrar-me a roupa, o cheiro de bebé.
Fico-me com ele, mesmo depois de já dormir. Quero fixar-lhe tudo, não me esquecer de nada.
Quero que fique assim, pequenino, para sempre.

2006-01-24

Licença de Maternidade

Nunca fiz tantas vezes jantar.

(E gosto)

2006-01-23

Gosto de artesanato, "recuerdos" e outras tralhices


(Trazido pela minha cunhada de Toledo, em Espanha)

Está

a dormir. Acordou. Chora, quase berra, os olhos fechados, as pernas furiosas.
Pego-lhe ao colo e cala-se. Esfrega a cara na minha camisola e pisca os olhos.

O meu pai

que é do norte, se não tem sopa na mesa fica desconsolado. Quando era miúda não achava piada nenhuma à coisa, mas agora também não passo sem ela.
(Mas não precisa de estar SEMPRE na mesa)

Infelizmente não tenho jeito para a fazer. Sai-me sempre parecida e sem piada. É pena.

Vida a dois

Gosto mais da almofada dele e de vez em quando roubo-lha. Ele não acha muita piada.

Adormecer

Tantas vezes: ele no chão na espreguiçadeira, eu no computador, mesmo ao lado. É certinho e garantido!

(Desde que esteja com sono, claro...)

Gargalhadas

Na muda da fralda, enfio-lhe o nariz debaixo do braço e na barriguinha e ele dá gargalhadas a sério. :)

(Adoramos)

2006-01-22

Pequena nota de agradecimento

à minha amiga L. e ao filhote D., de 14 meses, que me visitaram ontem.

Agradeço em especial ao D., que mexeu em todos os botões do amplificador, deitou o aquecedor ao chão, remexeu os brinquedos da I., tirou a minha "bonecada" do sítio, abriu portas da cozinha, tentou derrubar a pilha de caixotes de revistas, mandou com as minhas fotos para o chão, encheu a televisão de dedadas, o comando do DVD de baba, espalhou as velas das prateleiras de baixo pela sala, espreitou a coluna de CD's, tentou arrancar a toalha da mesa, apagou e acendeu as luzes, e acho que é tudo, por me ter feito olhar para a minha filha com outros olhos. Obrigada!

:)

(Exagerozinho!)

Pausa

Um jantar, uma Amiga. Conversas. O bebé a dormir no quarto.
Muito, muito, muito bom!

(O pai e ela foram passar o fds fora, para o pai votar "lá na terra dele")

Presente


(Mais uma vez, obrigada C.)

2006-01-21

Com

que idade é que um bebé poderá voar? Já não posso esperar pela próxima viagem.

Segundo filho

Mais tempo a olhar. A mimar, a dar beijinhos. A abraçar, no colo.
A apreciar, a absorver tudo. Sem pressas.

(Pode ser o último)

Imagens dele

Imagens dela

2006-01-20

"Pai,

elefante!"

(Auto-estrada a caminho do trabalho, ali nos subúrbios da grande cidade)

Pai: "Aaah?! Onde?"

(Ela aponta uma vaca enorme - mesmo. O pai ri-se!)

Antes de deitar

Pai: Diz lá à mãe "gosto muito de ti".
Ela: Ti!

(Mas um "ti" muito expressivo, com abraço e beijo cheio de baba, tá bem?)

A meio da noite

mama e adormece. Levanto-o e encosto-o a mim. Os braços a abraçarem-me, a cabeça deitada no ombro, encostada ao meu pescoço. O corpo pequenino, tão leve.

Não me apetece deitá-lo.

2006-01-19

Dois meses e meio

Grande, grande, grande.

Mama muito bem e de vez em quando vomita, porque é muito trapalhão e engole muito ar. Os intervalos já são sempre de pelo menos três horas. Faz um intervalo grande, à noite, de 5 a 6 horas, mas infelizmente a partir das 18/19/20h. Depois acorda entre as 24h e as 2h30 e a partir daí é de três em três horas, com sorte quatro. Felizmente mama e adormece, e como aguenta a fralda a noite toda, é bastante rápido. Normalmente acorda cedo, por volta das 7h.

De dia ainda dorme bastante, especialmente de manhã. É de manhã também que fica mais sossegado na espreguicadeira e se distrai mais sozinho (ainda que pouco). A partir das 16h fica mais desassossegado e normalmente exige colinho.

Ri-se muito, muito. Basta uma palavra, um sorriso, uma atenção. Começa a fazer sons quando está satisfeito e faz umas queixinhas quando rabujento, continua muito sonoro. Já brinca com os brinquedos no berço e até fica uns minutos a espernear no "ginásio".

Constipou-se porque ficámos todos constipados cá em casa, mas até agora não teve febre, apenas tosse e muito ranhinho.

Está lindo, pois claro.

Adenda: Este menino tem mesmo necessidade de chuchar, ao contrário da irmã. Como ainda não segura a chucha (nem de longe), apanho-o muitas vezes a chuchar na mão. E eu que tenho a ideia que não é nada bom que o faça. Lembro-me vagamente do pediatra ter dito que era preferível a chucha, por motivos que entendo. E agora? Tenho que o ajudar a chuchar na chupeta até que aprenda, e desviar-lhe a atenção da mão, não é?

Músicas que gosto

Do Caetano Veloso, "O Quereres".

"Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão

Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói

Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és

Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rock'nroll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inseticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim"

2006-01-18

Facto Inegável Constatado Já Há Algum Tempo

Eu peço-lhe as receitas, eu anoto os pormenores mais inacreditáveis, eu faço tudo como ela diz, mas as minhas comidas nunca ficam nem parecidas com as da minha mãe.

(Bolas.)

Facto Inegável Constatado Ainda Agora

Nós, ou temos plantas ou temos filhos.

Regras ou Ai que letra horrível


(É melhor clicar em cima para ver maior)
(Válido para os dias de semana)

Post que me fez rir

(Mas é assim um rir tipo "ai meu Deus o que é que me vai acontecer")

Este.

E o prémio Progenitor Mais Desenrascado Cá de Casa vai para...

(não me atrevo a ir além das nossas paredes por falta de conhecimento e suspeita de falta de isenção, mas tenho a certeza que lá fora também arrecadaria bons resultados!)

(tcha-raaaam!)
(rufar de tambores)
(envelope a ser rasgado)

... o Pai!!!!!!!

(aplausos)
(toda a gente de pé)
(a minha sogra com a lágrima no olho)
(a minha cunhada a dizer "eu sabia")
(os meus pais, cabisbaixos, "onde é que nós errámos?")

Porque faz coisas que a mim me arrepiam a espinha, me fazem estremecer de horror, me põem os cabelos em pé, pronto vocês já perceberam a ideia, como ir ao supermercado com ela, ir ao cabeleireiro com ela (!!!), ir ao Ikea com ela, pronto, ir a uma data de sítios com ela.

(A minha filha está na fase "ora vamos lá testar os limites da malta, vou mexer em tudo o que conseguir agarrar e deixa-me lá fazer uma birra daquelas, que vem mesmo a calhar agora" e sofre de energia de sobra, mau feitio e teimosia.)

(Adenda: eu ganhei o prémio de consolação: Progenitor Que Faz Mais Vezes Sopa Cá Em Casa)

Maravilhas de não estar grávida

(ou Acreditam que a nostalgia já começou a chegar?)

Comer fruta mal lavada.

Amigo

Eu tenho um Amigo.

Ele deixa-me sempre mensagens no messenger a perguntar como estou e a mandar-me um beijo, mesmo sabendo que eu não vou responder. Eu leio e sorrio e raramente respondo, porque ele já não está, ou porque não tenho tempo.
Ele telefona-me e eu não lhe retribuo as chamadas, porque não consigo, e quando falamos, ele nunca me cobra nada.

Eu tenho um Amigo.

As amizades precisam de tempo, que se cuide delas. E eu tenho tão pouco, ultimamente! Mas, com este Amigo, eu sei que tenho uma amizade à prova de tudo. De chamadas não atendidas e retribuídas, de mensagens no messenger por responder. Sei que quando falamos é como se tivessemos falado sempre e nunca há exigências nem cobranças, nem sentimentos de culpa, apenas risos e muita amizade. Genuína, boa, simples.

Obrigada, Amigo. :)

(Sabes que não me esqueço nunca de ti, não sabes?)

2006-01-17

Imagens dela


(Este casaco era do pai)

Imagens dele

Porta-retratos gigante



(Agora só falta imprimir fotos!)

Custa-me

um bocado esta fase.

Ainda não se distrai sozinho. Brinca uns bocadinhos na cama, com os bonecos, mas farta-se rapidamente. Quando está acordado exige muitas vezes colo. Na espreguiçadeira aguenta-se pouco tempo, muitas vezes abanado.

Fico sem saber o que lhe fazer. Às vezes falo com ele, ele ri-se muito. Ou brinco com as pernas dele. Mas é tudo muito limitado e pouco diversificado. Custa-me esta dependência dele e às vezes parece que só o quero ver a dormir...

(Lembro-me que com a I. foi a mesma coisa)
(Daqui a uns tempos queixo-me porque não pára quieto e toma demasiadas iniciativas...)

Objectos de tortura ou Filho constipado

Soro fisiológico, máquina de aerossóis e cotonete.

(Sobre)Viver

É assim, agora. Não vivemos, sobrevivemos. Com os recursos mínimos. Todas as atenções, as energias para eles. O que sobra é quase tudo absorvido pelo essencial: comer, dormir, trabalhar, fazer a casa funcionar. Quase não falamos, não estamos.

Se um está com eles, o outro trata de fazer o jantar ou o almoço. Quando um dorme, aproveitamos para tomar banho, dar mais atenção ao que está acordado. Vai ser assim até que as coisas "entrem nos eixos", até que tudo se faça quase em piloto automático, sem grande esforço. Foi assim com ela, será assim com eles (os dois). Talvez seja mais difícil agora, não sei. Ainda é cedo para dizer.

Desta vez já sabemos que vai passar, que vai melhorar. Aguentamos sem queixas, sem grandes exigências ou cobranças. O casal está um pouco em banho-maria.

A maternidade/paternidade exige não só um grande amor pelos filhos, mas também pelo outro. Para não esquecer, não desprezar, não exigir demasiado, não cobrar. Para não se perder nada ou o menos possível.

Porque os filhos não precisam só que os pais estejam ali para eles. Precisam também que estejam lá um para o outro.

2006-01-16

Vida a dois

Eu acedi a que ele comprasse quatro colunas enormes e feias para a sala.
Ele acedeu a colocar um painel na parede para pôr fotos.

Inverno e Dois filhos (um que vomita muito)

Há sempre roupa para lavar. (Muita)

Das festas (ainda)

a parte menos boa: a constipação. Foi a pequenina quem a começou e rapidamente a passou ao pai, a mim, ao irmão.

Fico chateada porque sei que podia ter sido evitada facilmente. Se tenho sido eu quem a tem acompanhado de casa em casa, quem a tem vestido de manhã. Seria eu a certificar-me que andava sempre de casaco, que não se vestia na sala gelada, mas no quarto quente, etc. Fico chateda porque o facto de a acompanhar menos também se nota nestas coisas. Porque mãe é mãe e ninguém como eu para se lembrar de a proteger do frio, de ter pequenos cuidados, de ver se a fralda está cheia, se não é hora de comer.

Custou-me em cada espirro que deu, cada vez que tossiu, que vomitou, que chorou a tomar o xarope, a pôr as gotas. E agora custa-me no pequenino doente, aflito com a expecturação, a dormir mal e a tossir.

Ainda me custa e acho que vai custar sempre, o que lhe tirei, o que ela perdeu. Às vezes acho que ela merecia mais tempo só para ela.

2006-01-14

I. - 1 , Pais - 0

Já chega à maçaneta das portas.
(E abre-as)

Depois

de ver, mais uma vez, um parto na série Serviço de Urgência, convenco-me de que nunca mais na minha vida vou ficar indiferente à história de um parto. Fictícia, real, contada, vista, imaginada.

Vou emocionar-me sempre, sofrer sempre e ficar imensamente feliz no final (espero). Dou por mim a pensar no parto do J. a manhã toda. Já existe a distância suficiente para pensar nele de uma forma bonita e com uma pontinha de melancolia, aquela que acompanha os acontecimentos bons que já passaram.

Mesmo com aquele sofrimento todo, mesmo tendo sido cesariana (que acredito que não podia mesmo ter sido evitada, e esta certeza faz com que não tenha pena), foi de certeza um dos dias mais felizes que tive e vou ter.

Sei que há mulheres que não podem ter filhos, outras que não querem, e acho que nem todas nascemos para ser mães, sem drama. Quem não quer ter filhos não tem e pronto. Compreendo perfeitamente a opção.

Mas acho que toda a mulher que não dá à luz um filho perde qualquer coisa. Muita coisa. Mesmo que seja com muita dor.

(E já penso que quero ter outro filho. Naquele dia jurei que não queria mais. Mas daqui a uns bons anos, quando não aguentar a saudade e se a vida mo permitir. Quando me tiver esgotado em noites bem dormidas, em jantaradas com amigos, em idas ao cinema e ao teatro e a concertos, em viagens, em namoros com ele, em livros, em experiências que me enriqueçam. Sou nova, ainda tenho tempo.)

2006-01-13

Imagens dela

Depois

de algumas vezes, um bebé que nos vomita tudo e mais alguma coisa em cima deixa de ter o mesmo impacto.

(Continua é a sujar muita roupa. Raio da tosse.)

2006-01-12

Estamos

à procura de um infantário para ela. Achamos que já tem demasiada energia para estar na ama, e só receamos as (muitas) doenças (mais até por causa dele, tão pequenino e sujeito a contágio).

Ontem fomos ver dois. Logo no primeiro ficou extasiada a olhar para as (muitas) crianças. "Meninos!!!!"
Não se queria vir embora e fez um ar absolutamente indescritível quando se viu no meio de tanta gente pequenina. Acho que nunca lhe tinha visto tanto entusiasmo na cara.

Agora só falta encontrar o infantário certo.

Ele

já se ri com som quando está satisfeito ou lhe damos conversa, e também faz queixinhas quando está chateado.
Ri-se para o boneco que dá música no berço e dá-lhe sapatadas trapalhonas.
Ri-se muito para a irmã e para tudo no geral.

(Eu sempre achei que, por comparação com a I., nunca iria ter outro filho tão bem-disposto e simpático. Mas parece que me enganei.)

Vacinas dos dois meses

Três pintinhas vermelhas no babygrow branco e uma noite mal dormida.

2006-01-11

Ao telefone

Além dos "Olás" habituais, a pedido nosso, envolve-se na conversa, responde, afasta o telefone do ouvido de vez em quando, a rir. Depois estica-o para mim "Toma!", dá a conversa por terminada, e eu e a tia (do lado de lá) rimos com o diálogo.

Qualquer dia tenho que me preocupar com as contas do telefone.

2006-01-10

Imagens dela

Imagens dele

Ela

rabujenta, chorosa, carente, ele a pedir colo, sempre, e é então que alguém pergunta com surpresa e logo a seguir desaprovação, porque é que eu não fico com os dois.

E critica e troça, assim, sem floreados, e eu que até me admito como atrapalhada e uma criatura pouco desenrascada, que me censuro interiormente por ainda não me sentir com coragem para ficar com os dois sozinha, ainda por cima ela doente, e eu que admiro e gosto de quem assim me critica, e talvez até mesmo por isso, fico tão zangada, tão furiosa, comigo e com ela, que acho que nunca lhe vou perdoar a crueza das palavras, a crítica fácil, a forma arrogante como o fez.

E fico-me assim, amargurada e rancorosa. E descontente comigo.

(Esta questão prende-se exclusivamente com o periodo de tempo que a I. esteve em casa doente. Não tenho dúvidas quanto à opção que fiz de ficar apenas com o J. em casa durante a licença de maternidade!)

Esta noite/tarde

18h, 23h e qq coisa, 5h e qq coisa. :)
Espero que seja o princípio das noites melhor dormidas!

(Só não aproveitei a 100% porque acordei por volta das 4h cheia de dores no peito, pouco habituado a estes intervalos tão grandes, de seguida!)

2006-01-09

Sete horas e meia

Sem mamar. Das 18h30 até quase às 2h. E eu que me deitei à 1h só pensava nessas horas todas a partir da meia-noite.

(Constato que quanto maior for a agitação antes de adormecer, maior é o intervalo que faz depois)

Sem delicadezas

Agora é braços presos, cabeça bem segura e vai tudo goela abaixo.

(Porque piorou no fds e já está a antibiótico)

2006-01-06

Da maternidade

Uma filha que nos tosse na cara e deixa um rasto de ranho na roupa.

Azar dos diabos

Ele fazer "o intervalo grande" a horas que não dão jeitinho nenhum. Devia ter acordado às 21h30, são 23h42 e ainda aqui estou. À espera.

Há qualquer coisa

Há qualquer coisa em ter um bebé pequenino. Uma fragilidade que assusta e enternece e nos revolve por dentro em vontades de beijos e abraços e cheiros e calores e tactos.

Há qualquer coisa em ter um bebé que nos cabe nas mãos e nos braços, que se alimenta de nós, um medo e uma ternura, uma vontade que cresça depressa e não cresça nunca.

É qualquer coisa que se perde no tempo, nos braços e pernas que esticam, nos sorrisos que se tornam palavras, nos toques desajeitados que se tornam abraços, nos meses que se tornam anos.

Há qualquer coisa em ter um bebé pequenino.

2006-01-05

Abordagens II

(ou A chantagem como método pedagógico persuasor eficaz)

A vamos-lá-ver-se-isto-na-brincadeira-vai: "A princesa Fiona e o Shrek também bebem o xarope para a tosse!"

A outra: "Se não bebes esta colher não te dou a chucha!!!"

Primero estaba la mar

"Primero estaba la mar... todo estaba oscuro.
No había sol, ni luna, ni gente, ni plantas.
La mar estaba en todas partes.
La mar era la madre:
la mar no era gente, ni nadie, ni cosa alguna.
Ella era el espíritu de lo que iba a venir.
Ella era el pensamiento y la memoria"

(De Pueblo Kogui, retirado de "No princípio estava o mar" de Gonçalo Cadilhe)

Músicas que gosto

Do Chico Buarque, "A Banda".

"Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou

E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor"

Aviso

Quem quer emagrecer não deve ter linguas de gato em casa.

(Nem compotas caseiras, nem bolinhos de manteiga, nem...)

Melhor prenda de Natal

Dois primos(as) gémeos que nascem no ano que começa!
Agora fico aqui a torcer para que corra tudo muito bem! :)

(E que bom que os meus filhos vão ter primos próximos com quem brincar!)

Cinco dias

de seguida com os dois. Eu e o pai. Ela doente e portanto muito rabujenta.
Cansativo, muito cansativo.

(Olho para trás e parece-me tão fácil ter só um filho. Depois olho para a frente e sei que daqui a uns tempos também me vai parecer fácil ter dois. Mas entretanto...)

2006-01-04

Abordagens

(ou Ainda a água do mar para o nariz)

A politicamente correcta: "Olha, tens que deixar a mãe por isto no nariz para ficares boa, e a tosse passar e poderes dar beijinhos ao mano, está bem? Não custa nada, vais ver! É rápido. Experimenta lá!"

A outra: "Se não me deixares pôr isto no nariz não brinco contigo!!"

Adivinhem qual resultou.

Imagens dele

Imagens dela

Tentativa

(desesperada) de a convencer a pôr a água do mar no nariz: sento-me no sofá da sala, finjo que enfio aquilo no meu nariz, imito o barulho do spray (fsssttttttt) e termino com um ar satisfeitíssimo. Várias vezes, como quem não quer a coisa. Sem olhar para ela sequer.

(No sofá o M. ri-se)

Não resulta.

Contrariada

com qualquer coisa que já não me recordo, dá-me uma sapatada na cara com a mão.

Paro imediatamente e olho para ela muito séria. Ela faz o mesmo. Está muito próxima da minha cara. Os olhos enormes, a chucha na boca. Chucha devagar. Aguarda, receosa.

Eu não digo nada e continuo a olhar muito séria. Ela suspira, pesarosa, os olhos enormes a fitarem-me. Não dizemos nada. Eu chateada, ela a aguardar o castigo.

Os olhos enormes e a mim só me apetece rir ou abraçá-la, está tão gira, tão quietinha, tão lindinha, os olhos enormes e lindos.

Dou-lhe uma reprimenda e considero o assunto resolvido. Fico a pensar que devia gritar-lhe menos, irritar-me menos, ser mais serena, mais calma, mais "mãe".

Tenho tanto a melhorar ainda.

(E não me consigo esquecer dos olhos dela)

2006-01-03

Das festas

Ela adorou, claro. Adora confusão, muita gente e não fica minimamente intimidada, nem estranha. Está bem com todos, adora as atenções.
Deitou-se cedo tanto no Natal como na passagem de ano, apenas ligeiramente mais tarde.
(As prendas abriu-as de manhã, na presença dos pais, da avó e da tia, que pernoitou connosco para não perder o momento)

Ele esteve mais ou menos como sempre. Tive que ir algumas vezes com ele para o quarto, por causa da confusão e do barulho, mas nada de mais. Dormiu muito bem, fez sempre um intervalo de 5 horas no início da noite (que azar), adormecia imediatamente depois de mamar e até esqueceu o periodo de agitação de madrugada.

Nenhum deles despertava com a barulheira lá em casa, o que me tranquilizou e deixou mais relaxada.

Consulta no pediatra

Ele: 5,700 Kg, 60 cms. Tudo Ok.

Ela: 11,400 Kg, 84 cms. Constipou-se nas festas. Garganta inflamada e alguma febre. Fica em casa cheia de mimos a ver se não é necessário antibiótico.

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