2006-01-17

(Sobre)Viver

É assim, agora. Não vivemos, sobrevivemos. Com os recursos mínimos. Todas as atenções, as energias para eles. O que sobra é quase tudo absorvido pelo essencial: comer, dormir, trabalhar, fazer a casa funcionar. Quase não falamos, não estamos.

Se um está com eles, o outro trata de fazer o jantar ou o almoço. Quando um dorme, aproveitamos para tomar banho, dar mais atenção ao que está acordado. Vai ser assim até que as coisas "entrem nos eixos", até que tudo se faça quase em piloto automático, sem grande esforço. Foi assim com ela, será assim com eles (os dois). Talvez seja mais difícil agora, não sei. Ainda é cedo para dizer.

Desta vez já sabemos que vai passar, que vai melhorar. Aguentamos sem queixas, sem grandes exigências ou cobranças. O casal está um pouco em banho-maria.

A maternidade/paternidade exige não só um grande amor pelos filhos, mas também pelo outro. Para não esquecer, não desprezar, não exigir demasiado, não cobrar. Para não se perder nada ou o menos possível.

Porque os filhos não precisam só que os pais estejam ali para eles. Precisam também que estejam lá um para o outro.

22 Comments:

Blogger Mãe piolha said...

Tiraste-me as palavras da "alma"... o mesmo se passa comigo, connosco... mas é uma fase que passa, não é??

Beijos
Rita

09:18  
Blogger Cláudia said...

E estão, ainda que em silêncio, mas numa cumplicidade enorme! O cansaço apodera-se de nós por vezes, mas o amor está sempre lá, ainda que em banho-maria, como dizes.
Ao olhar para os filhos não sentes a alma crescer, pensando muito na pessoa que tos proporcionou?
Em silêncio, sabem que estão um para o outro. E os filhos também sentem isso...
Beijinhos mimados, minha querida.

09:23  
Blogger JP said...

Parece que conseguiste materializar numa expressão o que tenho vindo a sentir: banho maria. Esta (re)adaptação tem sido, para nós, complicada. Porque, como é a primeira vez, estamos a conhecer novas facetas um do outro (ser mãe e ser pai), estamos a investir o tempo no J, e parece que não temos tempo para alimentar a nossa relação. E, não deixa de ser engraçado, ao contrário de todas as variáveis de ter um bebé, esta não é assunto muito usual em conversas entre amigas (minha realidade). Beijinho, Xana

09:59  
Blogger Flores said...

Temos falado mto disso ultimamente. E a vinda do segundo está condicionada por isso mesmo.

Posso fazer copy/paste p/ mostrar ao outro sobrevivente lá de casa?

Sandra

10:09  
Blogger Xana said...

Claro que sim, Sandra. :)

10:17  
Blogger Cláudia said...

passa-se o mesmo comigo...e só tenho 1 filha..mas tenho fé que tudo melhore..aliás já esteve pior..

bjs

10:21  
Blogger Sophie said...

Acho que realmente se fala/escreve muito pouco desta "parte". E ela é real.
E se não houver esse amor um pelo outro, para além do grande amor pelos filhos, as relações podem não resistir ou ficar com sérios danos.
Quantos divórcios já aconteceram nos poucos meses seguintes ao nascimento de um filho...?

Nem sempre os filhos unem os casais.

10:58  
Blogger scaf said...

:) este teu dom de escrever o que te vai na alma é .....´não há adjectivos que o descrevam!
Beijos grandes

11:27  
Blogger Márcia Carvalho said...

O desafio da maternidade/paternidade é mesmo esse!

12:29  
Blogger Raquel said...

Disseste tudo...
O meu filho tem 1 ano e muitas vezes ainda nos é difícil sair da dimensão pais para a dimensão casal...imagino com dois.
Por isso é q o amor entre os dois é essencial.
Sem ele não há casal q resista a tanta exigência e dedicação.
Beijos

12:58  
Blogger barbarayu said...

Como te compreendo :)

Às vezes temos um tempinho os dois e só temos energia para dar um abraço e... adormecer ;)

Beijocas!

13:03  
Blogger Ana F. said...

A maternidade / paternidade é O teste a um casamento /relação.
Ó se é!

13:39  
Blogger Francisca said...

Tantas verdades...

14:32  
Blogger InêsN said...

está tudo aqui...

parabéns pelo modo como expuseste aquilo que muitas sentimos mas não sabemos como dizer!

15:30  
Anonymous Anónimo said...

A unica maneira que tenho para comentar isto... é com um grande beijo para os dois meus queridos amigos... e muita força... porque sei que conseguem ultrapassar isso tudo da melhor maneira ;)

16:12  
Blogger Karla said...

Parabéns por mais um excelente texto tão cheio de verdade. Um beijinho grande aos quatro :)

18:45  
Anonymous Anónimo said...

sabes... não sou casada e tão pouco tenho bebés. Mas dás uma ideia tão clara do que imagino que seja a realidade que me sinto (mais) capaz de o fazer também.: ) Não sei se me estou a explicar bem... Dás a ideia de que é humano e normal estar cansada, não ter paciência, o casal estar em banho-maria em determinadas alturas. Sinto-me mais póxima da ideia do que é ser mãe de mais que um bebé ao mesmo tempo ao ler-te.

21:47  
Blogger Chato do lado said...

Voçês são LINDOS :)
Adoro-vos

Beijo

21:53  
Blogger Os meus pimpolhos said...

Descreveste exactamente o q eu penso, o pior é q às vezes acaba por não ser tão cor-de-rosa...
Beijinhos

22:05  
Blogger Mocas said...

Os filhos são uma prova de esforço, um teste constante, não apenas ao amor do casal, mas tb à sua amizade, cumplicidade e sei lá que mais. E quanto aos pais estarem lá um para o outro, digo-te apenas que me lembro bem que eu e o meu irmão (ambora já mais velhinhos, tipo 7, 8 anos)adorávamos ver os nossos pais apaixonados a namorar, a ouvir música, a conversar à noite na sala...instintivamente afastávamo-nos.

Como sempre, adorei o que escreveste.

23:30  
Blogger AnaBond said...

mais um grande texto, como só tu sabes escrever...

eu também acho que a maternidade/paternidade é O teste ao amor entre dois adultos...

tu... és linda.

11:56  
Anonymous Anónimo said...

Realmente, este cantinho tem uma magia especial, assim como as tuas palavras. E como eu tenho medo de não saber ter essa compreensão...

12:15  

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