(registo "cirúrgico")
Na quarta, dia 2, deitei-me por volta das 24h. Como nos últimos dias vinha a acontecer, sentia algumas contrações sem dor. Mas, deitada na cama, o M. a dormir, pareceu-me que começava a sentir algum desconforto. Já não cheguei a adormecer.
Fui verificando que a dor de facto existia e que as contrações eram bastante próximas (15/20m). Comecei também a preocupar-me com a questão da I., a dormir no quarto dela. Tinha esperanças que o parto se desencadeasse durante o dia e não queriamos incomodar ninguém. Mas àquelas horas da noite, a chuva lá fora, ela a dormir no quentinho e a possibilidade de ficar sem o apoio do M. começou a parecer-me cada vez menos confortável.
Achei que era parvo estar a prescindir da presença dele e de alguma tranquilidade extra para não pedir um favor a pessoas que considero amigas e por quem faria a mesmíssima coisa. Decidi acordar o M. e discutimos a questão. Telefonámos à S. que veio para nossa casa (obrigada, querida, és um anjo!!). Entretanto eu já estava com muitas contrações, de 5 em 5 minutos. Quando chegavam tinha que parar e fazer respirações.
Fomos para a maternidade numa noite escura de chuva, e os solavancos do carro já me incomodavam muito. Tinhamo-nos decidido nos últimos dias por uma maternidade diferente, e tinha receio que não me aceitassem por não ser da minha zona de residência. Estava um pouco inquieta.
Quando chegámos, a questão colocou-se de facto, mas depois de me observar e constatar que já tinha 6 cms de dilatação a médica disse que já não saía dali. A bolsa das águas rebentou antes mesmo de subir para a sala de partos. Eram mais ou menos 4h da manhã.
Todos afirmavam que, como o parto já estava avançado e a evoluir tão bem não ia ter epidural. Tive receio mas resignei-me e pensei que sendo rápido talvez não fosse de facto necessário.
Mas não foi.
Aos 8 cms, o trabalho de parto deixou de evoluir. As dores eram imensas, as contrações muito dolorosas e próximas, mas como já tinha 8 cms ninguém me queria dar a epidural. Estive muitas horas a respirar com esforço, a controlar-me, o M. ao meu lado. No final já me era difícil não explodir em insultos e descontrolar-me completamente. Tenho consciência de que pensei mil e uma coisas, mas fui capaz de as engolir, à excepção de algumas queixas ao M., que me tentava consolar e "animar".
Foi mesmo muito doloroso. Os "toques" feitos sem epidural custavam horrores, da I. não me tinha sequer apercebido. Sentia vontade de fazer força e era muito difícil controlar-me.
Finalmente, às 9h45 e visto que todos podiam constatar o meu sofrimento e o facto de NÃO estar a ser rápido, deram-me epidural. Foi um alívio enorme. Continuava a sentir algumas das contrações, mas nada que pudesse sequer comparar-se.
Algum tempo depois uma médica decidiu que tinha que ser cesariana pois o parto não evoluia e o bebé já estava a ficar com a cabeça deformada. Não fiquei triste nem desiludida. Estava cansada e há muitas horas à espera, eu só queria que o bebé nascesse. Optei por levar epidural o que obrigou a algum tempo de espera.
Ficámos, eu e o M., sozinhos. Estava tranquila e feliz. Custou-me aquele bocado à espera só porque queria muito conhecer o bebé. Até levar a epidural eu nem conseguia pensar no bebé, estava demasiado absorvida pela minha dor.
A cesariana em si não custou nada. Apesar do aparato todo, sabia que é um procedimento muito vulgar e procurei manter-me tranquila. Acho que posso dizer que me sentia bem. Todos à minha volta foram muito atenciosos e eu ia finalmente conhecer o bebé que carregava na barriga. As médicas faziam apostas no sexo e brincámos e rimos com a situação. Tenho consciência de que conversei muito com toda a gente, finalmente aliviada das dores. Estava bem-disposta e alegre.
Quando o bebé nasceu foi uma emoção. Mostraram-mo sorridentes e disseram: "Não há dúvidas quanto ao sexo, pois não?". No fundo foi apenas uma confirmação. Ficou mesmo ali ao meu lado e pude ver tudo, como não aconteceu com a I. Quando mo trouxeram ele chorava e assim que eu falei e o beijei ele sossegou. Foi um momento fantástico!
Tive pena que mais uma vez o M. não tivesse assistido e de não lhe ter visto a cara quando conheceu o J.