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Não te vou dizer que ter um filho não muda e muito a nossa vida, porque de facto muda. Tudo.
E também acho difícil. E às vezes frustrante, castrador, etc. Eu não gosto de alimentar ideias muito cor-de-rosa sobre a maternidade, já o deves ter percebido no blog. Mas também não preciso que a maternidade seja cor-de-rosa para gostar dela.
Acho que é tão simples como isto: ter um filho faz-nos amar alguém de uma forma que não se pode descrever nem sentir de outra maneira. E isso é fantástico e compensa tudo o resto.
Compensa as noites mal dormidas (para mim o mais complicado), as dores do parto e do pós, a falta de liberdade para sair à noite, para estar a sós ou com o marido, para os programas com os amigos, para as viagens. É claro que isso não significa que não se sinta falta de tudo isto. Eu, pelo menos, sinto!
Eu acho que ter um filho é também uma prova de esforço para o casal enquanto casal. Porque a intimidade fica para segundo plano numa primeira fase, e porque nem sempre é fácil recuperá-la. O equilíbrio na vida do casal com o bebé recém-nascido é difícil de gerir. Os cansaços, as carências, as atenções. A individualidade.
Mas acho que não te estou de certeza a dizer nada de novo, apesar desta faceta nem sempre ser muito abordada neste mundo dos blogs. (O que eu acho pena)
O que eu acho é que sempre que possível deve haver uma consciencialização dos futuros pais para isto. Para não haver surpresas nem tristezas.
Quanto às viagens, acho que é tão simples quanto isto: podes contar com os avós (espero) para uma ou outra ocasião em que queiram fazer uma viagem a dois, e as viagens com eles, ainda que diferentes, limitadas, e certamente mais cansativas, também podem ser giras.
E não é um dizer não às viagens. É um adiar, um deixar para depois, um aguardar.
Nós decidimos ter os dois filhos tão juntos, em parte para que este adiar de tanta coisa (não só das viagens) seja o mais breve possível. Foi uma opção nossa. Não será certamente a ideal ou a melhor, até porque acho que isso não existe na maternidade.
Acima de tudo acho o seguinte: para se ter um filho, o mais importante é querer esse filho. Não importa a idade, a circunstância, o timming (dentro dos limites do razoável, claro). Importa querer. Muito.
É romântico, mas é o que eu acho.
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