2005-07-29

Gosto

do quarto dela como está.

Uma cama de grades, um camiseiro e um fraldário (daqueles que se fecham). Tudo o resto é espaço para brincar e brinquedos. Podemos correr pelo quarto, eu a fugir dela ou o contrário.

Gosto do quarto dela como está.

Qualquer dia o quarto vai ter mais uma cama e inevitavelmente mais móveis, porque a quantidade de roupa e de gente vai aumentar.

Tenho pena. Vai-se correr menos e vai sobrar menos espaço para as brincadeiras. Que são o que verdadeiramente importa.

Troca de mails (3) ou A nossa televisão mostra tudo verde ou A forma como os filhos condicionam as nossas vidas nas coisas mais impensáveis

Ele manda link para uma televisão LCD.

Eu: "O problema dessa televisões é o peso, ou a falta dele. Estou a ver a I. a fazer-lhe a folha em três tempos!!"

Ele: "Epa, mas a trocar de tv só por uma dessas (LCD). Não vou comprar uma de cinescópio, por uma série de razões, em especial o reflexo. Ficamos com a nossa até rebentar de vez. Assim as outras baixam de preço, e a I. (e a/o M./P.) cresce(m)."


(Comentário 1: Cinescópio, que palavra linda)
(Comentário 2: O P. para o bébé é mais uma tentativa de impôr o nome que ELE gosta)
(Comentário 3: Eu não quero uma televisão verde, mas também não quero uma televisão partida)

E eu

vou à procura dela, há agua por todos os lados, também não sei do M. mas ele é adulto e forte, é a ela que eu procuro com uma aflição aflitiva, pessoas a correr, água por todos os lados, e eu grito e choro sem lágrimas, e de repente uma miúda com uma bébé ao colo, toda molhada, é ela, tem a camisola vermelha e a saia de ganga, os sapatos são iguais, é ela, e corro e agarro-a e é mesmo ela... acordo.

A aflição vai-se aos poucos, sinto o corpo dormente, será da posição (barriga para cima) ou da aflição, da angústia, mas está tudo bem, foi só um sonho, um pesadelo. Levanto-me e vou ao quarto dela e ela dorme, passo-lhe a mão nas pernas e nos braços e na cabeça, a respiração baixinha, está tudo bem.

Está tudo bem, está tudo bem, está tudo bem. Foi só um pesadelo. Durmo.

Cumprimentos ou A forma como os outros me vêem

Colega de trabalho: "Olá mamã!"

Incentivo

ao trabalho: um chefe giro.

(Isto não fica mal numa grávida, pois não? ;) )

Hoje

é o último dia na ama, em Agosto ela está de férias.

Para a I. estão destinadas 3 semanas com as duas avós e uma com o pai, e ainda três dias com a mãe. Duas semanas com as avós são passadas em casa das avós.

Sei que vai ser giro para ela e diferente, e que se vão aprofundar as relações com as avós. Mas não consigo deixar de ficar um pouco ansiosa.

Pesei-me.

Na próxima consulta com o obstetra: ir de estômago vazio e com a roupa/sandálias mais leves que tiver.

:(

2005-07-28

Na minha cabeça

desde de manhã, o resto de gelado que sobrou de ontem.

(E concluo que muitos dos meus post's ultimamente são sobre comida. Paciência.)

Em casa

com criancinhas, abrem-se as portas devagar.

"Café,

alguém quer?", pergunta o meu chefe a caminho da máquina.

"Para mim é um capuchino com muita nata, bem quentinho e bolinhos de canela, pode ser?" penso, mas não digo.

Foi preciso

eu dizer que ela não liga a bonecos, para a ver agarrar num urso ou palhaço, ou lá o que era, e sentá-lo na espreguicadeira direitinho, depois de esticar bem a fralda por baixo.

Com muito cuidado, pois claro.

Eu não tenho

tempo nem paciência para ir tantas vezes à casa de banho! Desculpa lá!

(Recadinho para a minha bexiga)

Faz hoje (2)

dois anos, passei o dia a matutar na menstruação que não vinha e no acordar da manhã anterior.

Sempre fui de atrasos de semanas, mas desta vez já ia em três. Era segunda-feira e o M. queria esperar até sexta.
A caminho de casa, no carro, admiti que estava um bocado ansiosa e concordámos em comprar o teste de gravidez.

Lembro-me de estar sentada no jipe, no lugar do condutor, as mãos no volante e o M. na farmácia. Lembro-me de sentir o coração a bater muito acelerado e de ter pensado na hipótese de estar grávida e de me sentir assustada. Lembro-me dele entrar no carro e de dizer "foi mais barato do que pensava".

Lembro-me de achar, na minha ignorância, que só podia fazer o teste no dia a seguir, de manhã. De ter chegado a casa, ter ido à casa de banho com as instruções de utilização (adoro ler na casa-de-banho) e ter percebido, já o chichi se tinha ido todo, que podia ter feito o teste imediatamente.

Lembro-me de ir a correr beber copos de água e poucos minutos depois ir fazer o teste. Lembro-me do M. à minha frente com o teste na mão e de ter dito "agora esperamos três minutos". Lembro-me de efectivamente ter contado com os três minutos de preparação psicológica e da risca cor-de-rosa ter surgido IMEDIATAMENTE.

Lembro-me de me virar para o M., muito aflita, e perguntar "essa é a risca de controlo, não é?" e ele "não" e logo depois ele "deve desaparecer".
Lembro-me de ter pensado que ele era parvo e de ter ido sentar-me no sofá a olhar para o tecto, a minha vida a passar-me muito depressa à frente dos olhos.

Lembro-me dele demorar na casa-de-banho e depois se vir sentar no sofá individual à minha frente e me pôr a mão na perna e perguntar, receoso "mas estás feliz, não estás?".

Lembro-me de ter sonhado a vida toda com aquele momento e nunca me ter ocorrido que me ia assustar tanto, tudo.

(E foi um dos dias mais especiais da minha vida)

(A gravidez da I. não foi planeada. No entanto, sabíamos que podia acontecer. Não planeámos mas ficámos muito felizes, claro, passado o choque inicial. Hoje acho que aconteceu no melhor momento possível.)

2005-07-27

Troca de mails (2)

(...)
Ele: Típico Xana... A anti-social socialmente correcta (por acaso é falso porque se há coisa que não és, é socialmente correcta)
Eu (Rio-me e sei que é um bocadinho verdade!!)

Troca de mails

Eu: Não comprei o copo de medidas porque só tinham um que media líquidos e para isso temos os biberons da I.
Ele: Qualquer dia estás a comentar com as amigas: "Ah, este bolo leva 2 iogurtes e biberão e meio de leite!"

O móvel

onde guardamos, na sala, a maior parte dos livros e recordações de viagens e afins, é um módulo de prateleiras de 4 X 4.

Até há mais ou menos um ano atrás, os livros e recordações distribuíam-se harmoniosamente pelos 16 quadrados. Uma moldura aqui ao lado deste livro, ali uma vela, no outro quadrado a igreja da Bolívia, e aqui o cinzeiro de Barcelona, ali os casalinhos que o M. trouxe de Espanha, vestidos a rigor de acordo com os trajes típicos. Aqui os livros desta coleção, ali os outros.

A partir dessa data, os livros, menos frágeis, passaram a situar-se maioritariamente nas duas prateleiras de baixo, e tudo o resto fugiu para as de cima.

Não fica bonito, mas fica mais seguro.
Ontem descobri que ela, bem esticadinha, já chega à terceira prateleira.


AAaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Faz hoje

dois anos, acordei e vomitei. Nunca me tinha acontecido.

Eu ou o M. dissemos que devia ter sido alguma coisa que eu tinha comido. A A. e o P., que estavam em nossa casa, sorriram e não disseram nada.

Livros

Prefere os que têm imagens aos que têm bonecos, e adora os de animais.

Ontem não resisti e comprei mais dois de animais e um de cores. Os animais são os mesmos, mas as fotos são diferentes. Ela adorou!

Antes

, um jantar com amigos preparava-se na hora, quanto muito fazia uma sobremesa no dia anterior.

Agora, um jantar em nossa casa, com amigos, é uma ocasião mais rara e portanto especial. Dois dias antes começamos com as compras, no dia anterior deitamo-nos tarde a preparar tudo e a adiantar o que conseguirmos!

Hoje é dia de Jantar de Verão!

(A parte do deitar tarde foi mais com o M., que eu à hora do costume já estava cansadíssima e na fase "não falem comigo que eu estou cheia de sono")

2005-07-26

Gostos e (Des)gostos

Gosta de comer tudo o que vê os outros comerem (especialmente se for para trincar).

Não gosta que as pessoas se agarrem de forma agressiva.
(Muitas vezes não percebe quando estão a brincar e chora muito aflita e assustada)

Azar

O elevador do prédio da ama estar avariado. Ela mora num terceiro andar.

(Não sei o que custa mais: levá-la ao colo ou deixá-la subir as escadas e ter que ir toda dobrada)

Perguntas

Ele: "Mas a barriga está muito grande, não é?"
Eu: "É!"

Post lamechas

Há dois anos atrás casavam-se dois grandes amigos meus.

Ela viveu comigo durante quase todo o tempo que durou o nosso curso universitário. Ele era colega de curso e daqueles amigos que nos conquistam logo. Juntos passámos por inúmeros momentos felizes, de stress, de estudo, de tudo.

Quando acabámos o curso ficámos os três a trabalhar na mesma cidade, na mesma empresa. Depois eu saí e afastei-me um pouco. Quando me aparecem um dia em casa e me contam a novidade eu fiquei tão espantada que pensei que estivessem a brincar comigo.

Mas não estavam e ainda bem!

São duas pessoas muito especiais e acredito que vão ser felizes para sempre. Porque eles merecem muito!

Parabéns, meus queridos!!

2005-07-25

Na ama (2)

A mãe do P. para o P.: Vai dar um beijinho e um abraço à I.!... Se ela deixar!
Eu: (para dentro) Ai, eu não arriscava...
A ama: (a rir) Olhe que ela hoje não está para abracinhos!


(E a mim só me dá para rir)

Na ama

Chego para a levar para casa. Olha-me de lado e não mostra grande emoção. Vai atrás da B.

O P. vem ter comigo e dá-me a mão, curioso com o meu relógio. Quando vê, ela começa a dizer "não" repetidamente, corre na nossa direção, dá-me a mão e afasta bruscamente a do P.

Assim, de repente

, coisas que a fazem soltar gritinhos histéricos de excitação:

* Correrem atrás dela a fazer sons parecidos com os de um leão ou coisa que o valha, e dentadinhas nas costas e nas pernas quando a apanham
* Piscinas com água
* Carrinhos telecomandados a perseguirem uma mãe grávida e "cheia de medo"

Senta-se

na cesta de verga ainda com os restos da lenha cortada, o tamanho à justa para as pernas dela, agarra-se de lado com as duas mãozinhas e espera que a puxem pela cozinha.

A viagem

foi longa e ela há muito que dorme. Paramos quase em casa, para abastecer o depósito. "Mas ainda vais pôr gasóleo?!", "Antes agora que amanhã de manhã".

O pagamento na bomba não funciona e o pai irritado e cansado vai e volta, e quando está a voltar ela abre os olhos, estremunhada, a boquinha a abrir-se a a fechar-se de sono e espanto e "Onde estou?" pensado e não dito, e de repente vê o pai que se aproxima, lá fora, e diz, alto e com as letrinhas todas bem ditas "Pai!", assim, uma e outra vez, "Pai!" e depois adormece profundamente, os olhinhos e a boca novamente fechados.

E eu enterneço-me tanto, tanto com este amor que ela tem por ele e do qual não consigo sentir-me excluída ou ciumenta, apenas uma feliz espectadora. Tanto, tanto.

Alegrias da gravidez

Passar um terço das vinte e quatro horas diárias a dormir e os outros dois terços a pensar em dormir.

Saudades

de brincar com ela descontraidamente. As duas deitadas no chão, ela em cima de mim, cócegas e dentadinhas.

Adoro

a luz do entardecer.

2005-07-23

Fim-de-semana

em casa dos meus pais: dormir, dormir, dormir.

Que bom. Sinto-me tão melhor!

Em casa dos avós

a I. descobriu o som que os galos fazem.

(Sem ser pelas imitações duvidosas dos pais)

2005-07-22

Não posso

usar brincos que não sejam de ouro ou prata, vários dias seguidos. Fico com uma espécie de alergia.

Logo tinham que me sair umas orelhas "finas".

Em todas

as revistas "cor-de-rosa" que folheei, alguém estava grávido ou tinha tido recentemente um filho.
Ter filhos, vende.

(Ainda há tempos li sobre como a publicidade com grávidas resulta)

Numa revista

"cor-de-rosa", enquanto esperava a hora de fazer a ecografia, os príncipes não sei de onde afirmavam que o filho recém-nascido se porta bem.

Mas há algum recém-nascido que se porte mal?

Já está!

Mais uma ecografia, esta bem descontraída e divertida ("Mas não querem mesmo saber o sexo???" perguntou muitas vezes a auxiliar, "Eu já sei o que é!!!").

Está tudo bem com o bébé, é comprido como a irmã (P50-75) e eu já tenho o meu palpite!

(E perdendo a oportunidade de fazer disparar os comentários)

Assim, vindo de quem não percebe nada do assunto, parece-me que vem aí um gajo! :)

Acordo

, sinto que há qualquer coisa diferente, e depois lembro-me: "É hoje, é hoje!!"
:)

(Ecografia)

Gosto de

ter convidados para o lanche. Prepara-se tudo rápido, sobra tempo para conversar, é de dia, e o lanche é uma refeição que me agrada!

(E depois já nem se janta!)

Pergunta

Tia E.: Ela não pára quieta um minuto, pois não?
Eu: (Penso um bocadinho)Não.

2005-07-21

Amizade

é ficar tão feliz com uma novidade que não é nossa, como se o fosse.

Uma grande amiga minha teve a melhor nota do país no exame de especialidade(Medicina) deste ano.
Estou com um sorriso do tamanho do mundo!

Coisas lindas

Há coisas que eu adorava fazer, mas para as quais não tenho o mínimo jeito. Ainda bem que nem todos são como eu.

Ora espreitem aqui!

Na ama

, gosta da bébé M.

Hoje deu-lhe beijinhos e depois encostou a cabeça à dela. Preocupada com a cabecinha da bébé, tentei afastá-la: chorou muito sentida.

Depois, quando se consolou, encostou-se outra vez.

2005-07-20

Não me falem

das árvores que ardem...

Brincar (II)


(Gosto das cores à tua volta)

Brincar

Desejos


Simples. Com doce. Com açucar e canela. Com iogurte natural e doce de castanha.

Quando

não estiver tão barriguda e gorda vou cortar o cabelo curtinho.

Momento

mais difícil do dia: depois de almoço.

É que só apetece dormir...

As palavras

que conhece são poucas e não lhe bastam. Em momentos de grande entusiasmo inventa monólogos. Apressados, imperceptíveis, só dela.

Lindos (II)

2005-07-19

No centro comercial

Filha, pequena: Mãe, quero isto, vá lá, compra-me isto!
Mãe, irredutível: No Natal!!!

Roupa nova

, olho para ela e digo "estás tão linda!!", com muitos sorrisos à mistura.

Ela cola o queixo no peito e espreita-se. Olha para mim e sorri e depois outra vez para a roupa.
Não sei se percebeu, se concordou. Anda com algum cuidado ainda a espreitar as calças.

Por enquanto o conceito de beleza é-lhe imposto por nós. Um dia vai ser ela a decidir.

Tenho

dificuldade em ter ideias muito românticas sobre a vida. Dificilmente vejo uma situação, por muito boa que seja, como ideal. Em tudo, há coisas boas e coisas menos boas.

Para mim o importante não é que tudo seja bom, mas que o bom supere tudo.

2005-07-18

Contas

Há mais de um mês que não passo um fim-de-semana em casa, e só daqui a mais de um mês é que prevejo que volte a passar um.

(Gosto de passar fim-de-semanas em casa.)

Um fim-de-semana

no sítio para onde todos vão, e eu não consigo sair de casa com o calor.

(Só à noite!)

Fuerteventura (2)

O despertador

toca mais cedo. Levantamo-nos todos a custo, meio trôpegos pelo sono que não dormimos.
Fazemos tudo a correr, mas chegamos. E a horas.

O médico não.

(Já da I., na ecografia morfológica, foi assim. Estivemos lá às 7h da manhã, e o médico cancelou. Custa mais pelo sono que se perde, que pela ansiedade ou irritação.)

2005-07-15

Lindos

Gosto

de dormir "à larga".

Gosto especialmente quando é verão, está calor e estou grávida e o meu corpo se torna mais sensível às temperaturas, e é dificil arranjar uma posição para dormir.

Ele, quando desperta minimamente durante a noite abraça-me ou toca-me. Sempre. Mesmo que continue meio a dormir.

Eu refilo e afasto-o, porque está quente, porque ele é grande e pesado, e porque está calor e eu estou grávida e é difícil arranjar uma posição para dormir, e porque gosto de dormir "à larga".

Mas se ele um dia deixar de me abraçar, fico triste.

A minha

mãe telefona-me e queixa-se que o meu pai está mais refilão do que nunca. Diz-me que começou a disparatar com o meu irmão, "coitado do garoto", sem razão nenhuma.

Se bem conheço o meu pai, a minha mãe e o "garoto" (22 anos), sei que não foi bem assim. Apesar de ter que concordar que o meu pai é um refilão de primeira, também sei que a minha mãe toma sempre o partido dos "garotos", coitadinhos, que nunca têm culpa nenhuma.

O meu pai sempre foi o mau da fita. Ao meu pai cabia dizer que não, enquanto a minha mãe dizia sempre que sim, escondia-nos as asneiras e não o enfrentava abertamente. Às vezes o meu pai tinha razão quando dizia que "não" e outras nem tanto. Mas ao meu pai nunca foi permitido dizer que sim. Para ele sobrava a tarefa desagradável de contrariar e desaprovar e castigar.

Os meus pais raramente estavam de acordo e não o escondiam de nós. O meu pai achava que podia decidir sem ouvir a opinião da minha mãe, ou a ter em conta, porque ele é que era o pai e portanto mandava.

Sem querer entrar em críticas desnecessárias, a minha família funcionava de uma maneira com a qual não concordo de todo. Não tenho traumas nem guardo rancores. Sei que eles faziam o melhor que sabiam, e é isso que eu vou fazer, sem estes erros, mas se calhar caindo noutros diferentes.

Considero importante o casal decidir em conjunto. Acho fundamental o casal passar para os filhos uma imagem de coerência e equilíbrio. Se não concordam, chegam a um acordo. E é esse acordo que tem que passar.

É claro que se fosse fácil, todos o faziam. Já nesta fase dou por mim a discordar do M. em coisas tão insignificantes como se ela precisa ou não de casaco.

Algumas vezes


tentamos comprar o produto (alimentar) de marca "branca", porque achamos que a diferença de preços não se traduz necessariamente em acréscimo de qualidade, mas muitas vezes em notoriedade da marca.

Não é o caso do iogurte cremoso de limão. (Blargh)

(E o "original" merece a publicidade)

E ele

mexe, mexe, mexe, mexe, mexe.

(Na barriga)

2005-07-14

Fuerteventura




Gosto

tanto da forma como escreve.

Descreve uma situação que só posso imaginar como muito difícil e não fala do sofrimento. Não usa adjectivos e advérbios e afins para descrever a dor ou a angústia ou a tristeza, ou o que nem imagino que se sente.

Não cai no mais fácil, no mais vulgar, no dissecar das emoções, no agarrar dos sentimentos e escarrapachá-los ali aos olhos de todos.

Descreve a situação friamente, uma pessoa ali, a outra do outro lado, nem fala nela e não é preciso. O sentimento está todo lá, basta saber lê-lo.

Obrigada.

Vou comprar

uma sandes e penso "como só metade agora, para não sair a correr esfomeada para o almoço, e guardo a outra metade para o lanche".

Ponho-me a escrever (que expressão linda, estive para apagar e substituir por "Escrevo", mas achei que o "Ponho-me a escrever" ainda que soe mal, é mais fidedigno) um post enorme e de repente olho para o lado e

comi a sandes toda.

...
Raios.

Os links

ali do lado.

Os links ali do lado são actualizados quase a ferros.

Há blogs que visito e não linko ali (e gosto muito deles). Porque as pessoas donas dos blogs não querem ou porque eu não quero. (É assim uma espécie de "este é meu e não o partilho com ninguém!")

Há links para blogs que estão ali e não me dizem nada (foram um engano). Não os tiro por cobardia e porque me ponho a pensar "que atitude mais antipática o que é que as pessoas vão pensar?". Eu normalmente tento agir de acordo com o que penso e não me preocupar tanto com o que os outros pensam daquilo que eu acho, mas nem sempre é possível e às vezes opto pela saída mais cobarde, pronto.

Há links que estão ali para blogs que nem são nada o meu género (descobri que tenho um "género" para os blogs que gosto), mas como são uma visão diferente de coisas que eu também vivo, vou espreitar pela "diversidade".

Há links para blogs que gosto e que vou perdendo e ás vezes reencontro, mas não dá jeito guardar na altura, e depois nunca vão parar ali ao lado, quando até gosto mais deles do que alguns que lá estão. Ou então que estão à espera de se juntar num grupo razoável para valer a actualização (a ferros) da lista.

Às vezes apetece-me desaparecer com a lista de blogs. Às vezes apetece-me por lá só os que GOSTO mesmo. Porque os que lá estão não dizem muito de mim.
Se uma pessoa amiga me pedisse a lista de blogs que eu gosto não era a lista ali do lado que eu dava.

Entre apagar e reduzir e manter não me decido, e a lista vai ficando, crescendo aos bocadinhos.

Não me identifico com listas de blogs imeeeeeeeensas, e gosto de aparecer em listas de blogs pequeninas.

(Inspirada por esta menina, que me fez rir)

Na cabeceira


2005-07-13

Caracóis?

Lanzarote (12)


Depois

de 2 anos com alguém para nos ajudar nas lides da casa, a possibilidade de ficar 1 mês com o T3 por nossa conta dá-me dores de cabeça.

Maus hábitos, é o que é.

Muitas

mães que eu conheço não gostam particularmente de deixar os filhos com a sogra.

Ou sou eu que tenho sorte, ou é a minha sogra, ou somos as duas!

No início da noite

a casa acalma. Adormeces e o tempo que sobra é todo para nós. Agrada-me o silêncio e a disponibilidade para as nossas coisas, para o nosso jantar, para o livro, para o que apetecer.

Sei que em breve vamos voltar ao tempo dos choros e das cólicas nocturnas e das noites mal dormidas.

Gozo os dias que faltam e não tenho pressa.

2005-07-12

Lanzarote (11)

Lanzarote (10)

As boas intenções

Em situações de grande alegria ou de doença, a família e os amigos gostam de estar presentes. Gostam de participar dos bons momentos e de apoiar nos menos bons.

Quando a I. nasceu um dos meus grandes receios (juro) era a avalanche de visitas e palpites. Gosto de receber, mas também gosto do sossego da minha casa (eu sei que já disse isto). Numa situação em que me adivinhava tensa, fraca e ansiosa, sabia que muita gente à minha volta só ia atrapalhar.

Exigi ficar sozinha com o M. e o bébé que ia nascer na nossa casa na primeira semana, para desgosto e consternação dos familiares mais próximos. Não queria pessoas a dormir lá em casa e a baralharem-me o sistema nervoso. Acabei por pedir à minha mãe para ficar connosco, porque o M. estava prestes a entrar em época de exames da pós-graduação e achei que a ajuda da minha mãe era preciosa.

Pedi à minha mãe, porque era a única pessoa que eu sabia que ia ficar lá para me ajudar e não apenas para estar com o bébé. Que me ia fazer comida, lavar-me a roupa, ir às compras, aturar o meu mau-humor e ansiedade sem me perturbar ainda mais, lavar à mão a roupa suja do bébé. Tenho, naturalmente, com a minha mãe, um à-vontade que não tenho com mais ninguém e penso que qualquer pessoa percebe.

As visitas até nem foram exageradas, tirando uma ou outra situação em que alguém apareceu sem ser convidado e sem avisar (!), ou que me tocaram à campaínha às 10h da manhã (!!!!!!).

Mas lembro-me que só passado mais de um mês é que ficámos os três sozinhos em casa. E lembro-me de chorar por me sentir cansada e carente e ainda olharem para mim com incompreensão. O M. inclusivé.

O meu pai foi operado recentemente ao coração e no segundo dia depois da operação pode receber visitas. Esperou-nos na sala de visitas comum da ala onde estava internado, sentado numa cadeira. Ao todo chegaram cerca de 30 visitas. Eu lembro-me de ter sugerido à minha mãe que pedisse às pesssoas para não irem logo naquele fim-de-semana. Mas a minha mãe não é pessoa para dizer uma coisa dessas a alguém, e muita gente foi.

A meio da tarde o meu pai estava com um ar cansado e eu perguntei se ele se queria deitar. Ele admitiu que sim. Levei-o para o quarto com o M. e disse alto e bom som que ele estava cansado e ia descansar, que seria melhor irmos todos tomar um café e voltar na visita seguinte, passadas algumas horas.

Apesar disto, quando o estavamos a acomodar na cama, começaram a chegar pessoas ao quarto. As mesmas que estavam na sala e a quem tínhamos dito que ele queria descansar. Fiquei fora de mim. Fui rude e pedi às pessoas para sairem e o M. teve que me chamar à atenção. Só me apetecia chorar de raiva pelo meu pai deitado na cama com um ar abatido e as pessoas a insistirem em entrar e falar com ele. Fiquei furiosa com todos e com a minha mãe em particular por não ter sido capaz de assumir uma atitude menos "simpática" para protecção do meu pai.

É claro que sei que as intenções eram as melhores. Mas não seriam também um bocadinho egoístas?

(Mais tarde o meu pai sentiu-se mal e teve que ser medicado. Nada de grave, mas que podia ter sido evitado.)

Das viagens

normalmente trazemos novos sabores e novos prazeres (culinários). Fazemos sempre um esforço por provar da cozinha do país visitado!

Assim, de repente, lembro-me de vários:

Bolo do caco da Madeira
Bolo de massa lêveda dos Açores
Baked Potatoes da Escócia (Edimburgo)
Molho palta e outros do Chile e Argentina
Créme brulée dos pirinéus franceses

De Lanzarote ficaram os pimentos padrón (que já conhecia) e um molho delicioso que fazem com pêra-abacate.

Normalmente trazemos livros de receitas, ou o M. vai rapidamente procurá-las na net.
Ontem reproduzimos o tal molho. Não ficou exactamente igual, mas a receita já cá canta e é para repetir!

(Os prazeres das viagens são tantos!!)

2005-07-11

Gosto

de fotografias.

Lanzarote (9)

Lanzarote (8)

Bébé


A crescer.

Chamo-o

bébé, penso nele como "o bébé" e para mim é suficiente.

Ao telefone

com a minha mãe, sugiro ir lá no fim-de-semana com a familia do M. e ela desata a pedir desculpas, a dizer que já vai lá muita gente, que depois é uma confusão, que...

Corto-lhe imediatamente as desculpas.

Compreendo-a perfeitamente, não precisa de se explicar. Nisto somos parecidas, se bem que ela é mais generosa que eu. Faz-me confusão muita gente na minha casa. Prefiro receber aos bocados, pouca gente de cada vez. E às vezes não me apetece receber e pronto.

Acho que ela não tem que se desculpar e sinto que eu também não tenho que o fazer.

(Houve uma altura em que tive que exigir ao M. fim-de-semanas a dois. Ou eram pessoas em nossa casa ou nós na casa dos outros. Lembro-me que foi uma fase difícil para mim. Quando tive que exigir paz. E até fui criticada.)

Ao almoço

espreitam-me a barriga e:
"É rapaz de certeza!!!"

Tenho

comido tanto que nem me peso.

A última vez que o fiz, saltei rapidamente de cima da balança, meti-a debaixo do armário no WC e nunca mais a tirei.

Na ama

o P. vai ter com ela e faz-lhe festinhas na cabeça. Ela começa a refilar numa linguagem ininteligível e afasta-lhe repetidamente (e sem mordomias) a mão com profundo desagrado.

Esta menina sabe bem o que quer (ou o que não quer, no caso).

Como

um iogurte e deparo-me com a informação de que a pêra que estou a comer é pêra rocha do oeste.
Dá-me um ataque de riso.

(Também já comi um de maçã de Alcobaça)

2005-07-10

Voltei

E está um calor dos diabos.

2005-07-09

Lanzarote (7)

Há qualquer coisa

de significativo, para mim, em ter tempo para fazer bolos.
Dou por mim a pensar várias vezes que tenho mesmo pena de não o fazer.

(E nem sequer gosto muito de bolos. A minha mãe fazia bolos.)

Assim de repente

, coisas que quero fazer antes do bébé nascer:

* organizar e imprimir albúm de fotos da I.
* pensar numa solução para as centenas de CD's ainda nas caixas
* pôr o nosso quarto a meu gosto (não gosto da disposição actual)
* arrumar os dois caixotes que ainda restam das mudanças

(As férias deixaram-me cheia de genica)

Depois

de uma semana em que nos maravilhou com a tolerância e paciência para as andanças dos pais, fez as birras todas numa tarde.

2005-07-08

Lanzarote (6)

Hoje

dunas de areia muito branca e mar azul turquesa. Fuerteventura.

No primeiro dia

, perdi de vista os meus suplementos e vitaminas da gravidez. No penúltimo dia, muito tarde e em arrumações, encontrei-os.

Ao sexto dia

Memory Card Full

2005-07-07

Lanzarote (5)

Há sofrimentos

que não podemos imaginar. Nem devemos pretender fazê-lo.
Resta-nos respeitar a dor da pessoa amiga, e estar presente.

Nem mais, nem menos.

Em férias

tornam-se naturais coisas que dificilmente faria no dia a dia.
Como beber um copo num bar sossegado na praia, à noite, com ela.

Hoje

o M. faz anos, e para festejar o sol apareceu mais cedo.

2005-07-06

Lanzarote (4)

Em Lanzarote

também existem sítios pavorosos. Hoje encontrámos um e fugimos a sete pés!

Medida imbatível

para evitar que nos peça gelado, quando o comemos: comê-lo às escondidas!

(Imbatível e única, até ver)

2005-07-05

Lanzarote (3)

Coisas giras

que acontecem em hotéis frequentados maioritariamente por famílias que passam a maior parte do dia na piscina do mesmo:

* fotografias de família tiradas por um fotógrafo na mesma piscina ou no hall de entrada do hotel
* animação nocturna com bailarinas de vestidos minúsculos de cetim cor-de-rosa (e música da moda)

Ainda bem

que tenho um cartão de 1 GB na máquina fotográfica.

2005-07-04

Lanzarote (2)

Na toalha

ao lado, uma rapariga penteada, biquini vermelho e bronzeado irrepreensível, sacode todos os grãozinhos de areia duma caixa de óculos de sol vistosa.

À minha frente, a minha filha come areia.

Primeiro dia

de praia.

(A sério. Não contam os quinze minutos dela com os pés enfiados na água aqui ao lado de casa, os pais de calças arregaçadas.)

Chiça.

2005-07-03

Lanzarote


É lindo!

À noite

, no carrinho, tapada até ao pescoço, estica o bracinho para fora e pede a mão do pai.

(A do pai. Não a da mãe.)

Descobriu

uma praia diferente. De pedras pequeninas, pretas.
Brincou muito. Adorou!

2005-07-01

Amanhã


Voamos para aqui.

Gosto dela

Gosto dela ponto.

Não preciso que seja precoce nem extraordinária.
Não me interessa se gatinhou e andou mais cedo que o normal, ou pelo contrário, mais tarde.
Se é linda de morrer ou linda só para mim.
Se diz mais palavras que os outros. Ou menos. Ou as mesmas.

Gosto dela ponto.

Com os defeitozinhos que já lhe vou adivinhando, as birras e os momentos menos felizes.
Gosto dela mesmo quando digo que é brutinha ou teimosa. Gosto dela assim. Teimosa e brutinha.
Gosto dela e não preciso de lhe enaltecer as qualidades e as belezas.

Gosto dela com os pés grandes, as orelhinhas saídas.
Gosto dela quando não se quer sentar na cadeirinha do carro e me dá pontapés de que tento proteger a barriga.
Gosto dela quando se manda para o chão a berrar sem motivo nenhum.

Gosto dela ponto. Espero que ela também gosto de mim assim. De cima a baixo, de qualidades a defeitos.