Não sou uma daquelas pessoas a quem a maternidade assenta como uma luva. Gosto de ser mãe, mas sê-lo significa, em muitos momentos, um esforço para mim.
Custa-me a falta de liberdade e de tempo. De privacidade.
Custa-me chegar a casa e uma vez por outra não me poder sentar no sofá a dormir, a ver televisão ou a ler. Só.
Custa-me não ir ao cinema, a concertos, jantar fora, tomar um café à noite.
Custa-me ter que planear ao mínimo detalhe um fds a dois, com recurso a outros.
Custa-me não poder tirar férias como gosto, não viajar o que queria.
Custa-me levantar cedo e ter que brincar com ela quando o que me apetece é dormir.
Custa-me ter que a convencer a comer, ou a mudar a fralda, ou a não fazer isto ou aquilo, agora que está na fase das birras.
Custa-me isto e muito mais.
Custa-me mudar fraldas mal cheirosas.
Custa-me entrar num café e ter que estar de olho nela, o mesmo num centro comercial ou noutro sítio qualquer.
Não é sempre, mas é algumas vezes.
Falta-me muitas vezes a paciência e a disponibilidade mental. Tenho uma espécie de egoísmo do qual a maternidade não me livrou.
Gosto de ser mãe, mas muitas vezes tenho que me censurar e melhorar para ser melhor mãe, e estou longe de ser perfeita ou ideal.
Por eles, espero ser suficientemente boa. Com esforço e de certeza com muitos erros.