Irmãos
A minha mãe diz que que quando ele nasceu, eu ficava ao lado do berço e tentava espetar-lhe os dedos nos olhos. Ou que lhe roubava a chucha.
Mais tarde, lembro-me que discutíamos a propósito de tudo.
Lembro-me que dormíamos juntos numa cama enorme e traçávamos uma linha invisível que a dividia supostamente ao meio e não havia tolerâncias a invasões. Quando elas aconteciam havia gritos e almofadadas e puxões de cabelo.
Lembro-me de medirmos forças em cenas de porrada.
Lembro-me de, um dia na praia, discutirmos porque ele tinha levado o meu walkman e dizia que porque o tinha levado ele é que o podia ouvir e eu dizia que o walkman era meu, e eu é que o ouvia.
Lembro-me que no início da adolescência o meu pai me impingia a presença dele nas saídas à noite e eu me passava.
Lembro-me que se ressentia comigo por ser a filha das boas notas e ele ser o filho das notas não tão boas e que dizia que o nosso pai gostava mais de mim.
Lembro-me das minhas acusações e ressentimentos pelas asneiras dele que deixavam a minha mãe deprimida com queixas ao telefone.
Lembro-me das nossas discussões azedas e dele me acusar de ter a mania que sei tudo.
Raramente partilhámos, nos entendemos ou fomos amigos.
Hoje a distância trouxe-nos alguma paz e nas poucas vezes que estamos juntos não discutimos, mas também quase não falamos. Sei que não sei comunicar com ele e sei que ele prefere falar com o M. que comigo, quando tem algum problema ou está chateado. Ou quando precisa de alguma coisa.
Sei que gosto dele como se gosta de um irmão, que não gosto mais do outro que dele, apesar da nossa relação ser diferente.
Tenho pena da relação que não tivemos e de me sentar à frente dele e não saber que lhe dizer, não saber como lhe dizer que gosto dele e que gostava que fossemos amigos e cúmplices.
Temos 1 ano e sete meses de diferença e essa proximidade nunca nos aproximou.
A I. tem 13 meses e o bébé dentro de mim tem 13 semanas. Gostava muito que fossem grandes amigos.
Mais tarde, lembro-me que discutíamos a propósito de tudo.
Lembro-me que dormíamos juntos numa cama enorme e traçávamos uma linha invisível que a dividia supostamente ao meio e não havia tolerâncias a invasões. Quando elas aconteciam havia gritos e almofadadas e puxões de cabelo.
Lembro-me de medirmos forças em cenas de porrada.
Lembro-me de, um dia na praia, discutirmos porque ele tinha levado o meu walkman e dizia que porque o tinha levado ele é que o podia ouvir e eu dizia que o walkman era meu, e eu é que o ouvia.
Lembro-me que no início da adolescência o meu pai me impingia a presença dele nas saídas à noite e eu me passava.
Lembro-me que se ressentia comigo por ser a filha das boas notas e ele ser o filho das notas não tão boas e que dizia que o nosso pai gostava mais de mim.
Lembro-me das minhas acusações e ressentimentos pelas asneiras dele que deixavam a minha mãe deprimida com queixas ao telefone.
Lembro-me das nossas discussões azedas e dele me acusar de ter a mania que sei tudo.
Raramente partilhámos, nos entendemos ou fomos amigos.
Hoje a distância trouxe-nos alguma paz e nas poucas vezes que estamos juntos não discutimos, mas também quase não falamos. Sei que não sei comunicar com ele e sei que ele prefere falar com o M. que comigo, quando tem algum problema ou está chateado. Ou quando precisa de alguma coisa.
Sei que gosto dele como se gosta de um irmão, que não gosto mais do outro que dele, apesar da nossa relação ser diferente.
Tenho pena da relação que não tivemos e de me sentar à frente dele e não saber que lhe dizer, não saber como lhe dizer que gosto dele e que gostava que fossemos amigos e cúmplices.
Temos 1 ano e sete meses de diferença e essa proximidade nunca nos aproximou.
A I. tem 13 meses e o bébé dentro de mim tem 13 semanas. Gostava muito que fossem grandes amigos.
6 Comments:
Esperemos que sim
Beijinhos
Sandra
Tb eu espero q os meus sejam muito amigos..pelo menos estou a contar com a diferença dos 22 meses q têm... até agora está a correr bem... a ver vamos o futuro!
Bjkas
Claro que sim!
Beijinhos grandes
personalidades, somos cinco irmãos e dou-me de forma diferente com todos. e por incrivel que pareça, o irmão com que choquei mais durante a vida é neste momento o mais próximo em amizade.
um dia tu e o teu irmão vão conseguir entender-se...
e esperamos sempre que os nossos filhos se dêm bem..
Eu e o meu irmão(mais novo que eu 7 anos) eramos como o cão e o gato! Meu deus, aquilo lá em casa era um inferno desde que estivessemos juntos num raio de 1km! Um dia, tinha ele um dente definitivo nascido à pouco tempo, e partiu-o numa das nossas muitas lutas (mesmo o dentinho da frente, que maravilha:pff). Agora dámo-nos bem, felizmente, mas ás vezes ainda falamos desses tempos com amargura,eheh.
Bjs
Susana
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