2005-05-05

Bichos

Eu não gosto de bichos, mas alguns bichos gostam de mim. Com bichos quero dizer bicharocos. Coisas pequenas, pretas.

Se numa sala cheia de gente houver uma melga, é a mim que ela morde.
De vez em quando apareço cheio de babas e comichões.

Houve um episódio do qual não me vou esquecer tão cedo. Eu não sei se foi uma pulga, se foi um percevejo, se o que foi.
O que eu sei é que um dia apareci mordida e muitos dias depois fui continuando a aparecer mordida. Mas não era uma mordidela ou duas. Não.

Eram MUITAS.

Eu troquei a roupa da cama, eu pus o colchão ao sol, eu enchi o quarto de sprays, aspirei a casa toda, lavei a roupa toda, os armários, o roupeiro, mudei de quarto. Eu sei lá o que fiz.

Passava horas a olhar para o meu corpo à procura do nojento do bicho invasor e nada.

Ao fim de algum tempo já chorava quando via uma baba nova, o meu corpo cheio de pintas vermelhas.
Imaginava passeios pelo meu corpo, pulgas a reproduzirem-se e a sobreviveram a todas as intempéries, aos meus ataques de limpeza.

Um dia como outro qualquer acabou. Eu nem queria acreditar.


Venho do campo, mas não gosto de bichos. Bicharocos.