2005-05-10

Aqui há tempos

, estava a sair da ama com a I. para ir para casa, e vejo uma mãe com duas crianças. Uma, maiorzinha, ia sossegada à frente. A outra, a chorar compulsivamente, pela mão da mãe.

A mãe bem que se esforçava para que o pequenino(a) andasse, mas ele(a) recusava-se, arrastava-se, chorava, gritava.

A mãe desesperava.

Já no carro, na brincadeira com a I. (gosto de brincadeiras sem horas nem sítios marcados), vejo novamente a mãe. E os filhos.

O pequenino(a) continuava no seu choro infindável e a mãe arrastava-o(a) pela mão e de vez em quando parava e dava-lhe umas palmadas no rabo, e gritava com ele(a), nitidamente mais irritada.

Eu não gosto de criticar as maternidades das outras, as opções, as convicções.
Eu não gosto de fazer avaliações precipitadas, de fora, sem conhecimento de causa.
Eu não gosto.

Mas aquilo custou-me tanto. Mesmo sem saber de nada, mesmo sem querer criticar nada.
Tanto, tanto, tanto, que fui com o coração apertado até casa.

5 Comments:

Blogger Ana Rute Oliveira Cavaco said...

há uns tempos, vejo um homem no meio da rua a bater descontroladamente num miúdo e de cada vez que me lembrava desse episódio doía-me o coração.quando digo que me doía, era mesmo porque me dava uma pontada no peito.

17:57  
Anonymous Anónimo said...

já vi também, mais do que uma vez, mães alteradas e sapatadas brutas e berros histéricos...

as crianças que choram já nem sabem bem do quê, parecem só estar a pedir para a mãe se acalmar e aquela bola de neve parar de crescer...

é horrível.

18:44  
Blogger Karla said...

Também já assisti e também já fiquei com o coração apertado. Detesto, não suporto ver uma criança infeliz e um adulto tratá-la assim. Qualquer razão que possam ter tido se perdeu :(

23:39  
Blogger scaf said...

...sem comentários....:|
Bjs
Susana

09:58  
Anonymous Anónimo said...

"A mãe estava desesperada".
Pois devia estar!
E mesmo assim, às vezes, quando vejo uma cena do género, que me revolta, pergunto-me se nao devia chamar o adulto à razão... Podia ser que se acalmasse. Por um lado, há a velha tradição "o que é que tem a ver com isso, o filho é meu", por outro, desde a década de 80 que foi adoptada a Convenção sobre os Direitos da Criança...
Fico sempre com a sensação de que devia ter feito alguma coisa e não a fiz.

12:25  

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