Ele há birras e birras, mas descobri que estas são aquelas para as quais tenho menos paciência. Nada feito.
Eu sei que ela àquelas horas muitas vezes já está cheia de sono.
Eu sei que ela deve preferir o biberon, muito mais fácil de "comer".
Eu sei que nem sempre temos o mesmo apetite.
Eu sei que ela é pequenina e para as crianças é preciso paciência.
Eu sei.
Mas também sei que, àquelas horas, depois de um dia de trabalho, não me apetecia uma birra dela.
Vale-me um pediatra que acha que se ela não jantar comida sólida não tem problema nenhum.
Ontem, depois de umas quantas colheradas comidas com alguma satisfação, ou pelo menos ausência de insatisfação, decidiu que já chegava. Deu uma sapatada no prato e despejou toda a sopa em cima dela, da cadeira, do chão.
Aquilo caiu-me mal. (*sorrisinho*)
Virei-me para ela, e disse (exactamente como me apeteceu dizer, sem respirar fundo, sem parar para me acalmar, sem comiserações de qualquer ordem) o nome dela, naquele tom que só as mães usam quando estão mesmo irritadas.
(É nestas situações que dá jeito ter dois nomes próprios, para dar mais enfâse à coisa. Mas à falta disso, o único nome próprio que ela tem serviu muito bem para o efeito pretendido.)
Disse-o com irritação, impaciência, com as letrinhas todas bem ditas, de forma prolongada. Não o gritei, mas disse-o de forma bem audível.
E ela ficou a olhar para mim, com os olhos grandes abertos, sem perceber. Pelo caminho aproveitou para brincar com a sopa que estava espalhada em cima dela. A boquinha aberta, o ar de "mas o que é que foi que eu fiz".
Algum tempo depois, já ela dormia, fiquei a pensar no espisódio. É claro que preferia não ter tido aquele pequeno descontrole. É claro que preferia ser uma mãe "sorriso sempre nos lábios carregadinha de paciência maternal". Mas não sou e sei que não posso sê-lo de um dia para o outro. Acredito que venha com a experiência. E não me torturo com isso.
Pena que a minha dentição já esteja completa e não possa justificar o meu mau-humor com um "devem ser os dentes".